O LIVRO DE JUÍZES

Rogério Adriano Pinto


1. TÍTULO


O nome do livro deriva das pessoas que Deus levantava periodicamente para conduzir e libertar os israelitas, após se desviarem para a apostasia e caírem vítimas da opressão de nações vizinhas estrangeiras. Os juízes (treze deles são mencionados neste livro) vieram de várias tribos e funcionavam como chefes militares e magistrados civis. Muitos se limitavam à sua própria tribo quanto à esfera de influência, ao passo que alguns serviam a toda a nação de Israel. Samuel, geralmente considerado o último dos juízes e o primeiro dos profetas, não é mencionado neste livro.


2. AUTOR


A autoria de Juízes é incerta. O próprio livro indica os seguintes limites cronológicos de sua composição:

1) Foi escrito depois da remoção da arca, de Siló, nos tempos de Eli e de Samuel (Jz 18.31; 20.27; 1 Sm 4.3-11);

2) As referências freqüentes do livro ao período dos juízes, com a declaração: "Naqueles dias, não havia rei em Israel" (Jz 17.6; 18.1; 19.1; 21.25), sugere que o livro foi escrito no tempo da monarquia;

3) Jerusalém ainda estava em poder dos jebuseus (Jz 1.21; 2 Sm 5.7). Esses três indícios indicam que o livro foi concluído nalgum tempo depois do início do reinado do rei Saul (c. 1050 a.C.) mas antes do rei Davi capturar Jerusalém (c. 1000 a.C.).

O Talmude judaico associa a origem deste livro a Samuel, o que é bem possível. Uma coisa é certa: o livro descreve e avalia o período dos juízes do ponto de vista do concerto (Jz 2.1-5). Moisés tinha profetizado que a opressão viria da parte das nações estrangeiras sobre os israelitas como maldição da parte de Deus, se eles abandonassem o concerto (Dt 28.25, 33, 48). O livro de Juízes ressalta a realidade histórica dessa profecia.


3. OBJETIVO DO LIVRO DE JUÍZES


Historicamente, Juízes fornece o relato principal da história de Israel na terra prometida, da morte de Josué aos tempos de Samuel. Teologicamente, revela o declínio espiritual e moral das tribos, após se estabelecerem na terra prometida. Esse registro deixa claro os infortúnios que sempre ocorriam a Israel quando ele se esquecia do seu concerto com o Senhor e escolhia a senda da idolatria e da devassidão.


4. CENÁRIO HISTÓRICO


O livro de Juízes é o principal elo histórico entre Josué e o período dos reis de Israel. O período dos juízes vai de 1375 a 1050 a.C., aproximadamente. Nesse tempo, Israel era uma confederação de tribos.

O livro de Juízes pode ser dividido em três seções básicas.

Seção I (1.1-3.6). Mostra como Israel deixou a conquista inacabada e também a decadência da nação depois da morte de Josué.

Seção II (3.7-16.31). Abarca a parte principal do livro. Registra seis exemplos de reincidência de Israel em revezes diversos no período dos juízes, abrangendo tempos de apostasia, de opressão por estrangeiros, de servidão, de clamor a Deus sob aflição e de livramento divino do povo, mediante líderes ungidos pelo Espírito Santo. Entre os treze juízes (todos incluídos nesta seção do livro), os mais conhecidos são Débora e Baraque (agindo em conjunto), Gideão, Jefté e Sansão (Hb 11.32).

Seção III (17.1-21.25). Esta seção encerra o livro com fatos da vida real dos tempos dos juízes, que revelam a profundidade da corrupção moral e social decorrente da apostasia espiritual de Israel. Uma lição patente no livro para todos nós: os seres humanos nunca aprendem bem as lições que a história ensina.


5. CONTRIBUIÇÕES SINGULARES DE JUÍZES


1) Registra eventos da história turbulenta de Israel, da conquista da Palestina ao início da monarquia.

2) Ressalta três verdades simples, porém profundas: a) um povo que pertence a Deus deve ter a Deus como seu Rei e Senhor; b) o pecado é sempre destruidor para o povo de Deus; e c) sempre que o povo de Deus se humilha, ora, e deixa seus caminhos ímpios, Deus ouve do céu e sara a sua terra (2 Cr 7.14).

3) Salienta que quando Israel perdia de vista a sua identidade como o povo do concerto, tendo Deus como seu rei, a nação afundava em ciclos repetidos de caos espiritual, moral e social, e então "cada um fazia o que parecia reto aos seus olhos" (21.25; cf. 17.6).

4) Revela vários casos que ocorrem repetidamente na história do povo de Deus, dos dois concertos: a) a não ser que o povo de Deus ame e dedique-se a Deus de todo coração e mantenha uma constante vigilância espiritual, esse povo endurecerá o coração, deixará de buscar a Deus, se desviará e acabará na apostasia; b) Deus é longânimo, e sempre que os seus clamam arrependidos, Ele é misericordioso para restaurá-los, por meio de homens que Ele levanta, com dons e revestimento do Espírito Santo, para livrá-los do juízo opressivo do pecado; e c) constantemente, os próprios líderes ungidos, que Deus usa para livrar o seu povo, entram pelo caminho da corrupção, por falta de humildade, de caráter ou de retidão.

5) Cada um dos seis ciclos principais do livro, abrange apostasia, opressão, aflição e libertação, e começam, todos, da mesma forma: "Então, fizeram os filhos de Israel o que parecia mal aos olhos do Senhor" (2.11; 3.7).

6) O livro revela que Deus usava nações mais pecaminosas do que o seu próprio povo para fustigá-lo pelos seus pecados e para levá-los ao arrependimento e reavivamento. Somente essa intervenção divina impediu que o paganismo ao redor de Israel o absorvesse.


6. CRISTOLOGIA EM JUÍZES


Se Jesus inclui o livro de Juízes no seu estudo do Antigo Testamento, expondo o que a seu respeito ali constava, dois itens podem ter sido debatidos.

1) A falta de um rei ou líder nacional em Israel para unificá-lo como uma real nação Teocrática. O livro de Juízes é uma preparação para a vinda de Davi, mas também para a vinda do próprio Messias.

2) Os juízes sobre os quais veio o Espírito poderiam prenunciar a vinda do Senhor, especialmente na sua função futura de Juíz justo quando julgar o seu povo destruir os inimigos e trouxer justiça para a nação.


7. ESBOÇO


I. A Desobediência e a Apostasia de Israel (1.1-3.6)

A. Israel Deixa de Expurgar a Terra (1.1-2.5)

B. O Desvio Calamitoso de Israel (2.6-3.6)

II. A Opressão Estrangeira de Israel e os Juízes Libertadores (3.7-16.31)

A. Opressão Mesopotâmica - Livramento por Otniel (3.7-11)

B. Opressão Moabita - Livramento por Eúde (3.12-30)

C. Opressão Filistéia - Livramento por Sangar (3.31)

D. Opressão Cananéia - Livramento por Débora e Baraque (4.1-5.31)

E. Opressão Midianita - Livramento por Gideão (6.1-8.35)

F. Tempos Conturbados sob Abimeleque, Tola e Jair (9.1-10.5)

G. Opressão Amonita - Livramento por Jefté (10.6-12.7)

H. Juízes Secundários - Ibsã, Elom e Abdom (12.8-15)

I. Opressão Filistéia - Vida de Sansão (13.1-16.31)

1. Nascimento e Chamada de Sansão (13.1-25)

2. Casamento de Sansão com uma Incrédula (14.1-20)

3. Proezas de Sansão (15.1-20)

4. Queda e Restauração de Sansão (16.1-31)

III. Decadência Espiritual, Moral e Social de Israel (17.1-21.25)

A. Idolatria (17.1-18.31)

1. Exemplo de Idolatria Individual (17.1-13)

2. Exemplo de Idolatria Tribal (18.1-31)

B. Devassidão (19.1-30)

1. Um Exemplo de Devassidão Pessoal (19.1-9)

2. Um Exemplo de Devassidão Tribal (19.10-30)

C. Lutas tribais (20.1-21.25)


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


CHAMPLIM, Russel Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia Vol. 1 a 8 .Ed. São Paulo: Candeia 1995

ELLISEN, Stanley A, Conheça Melhor o Antigo Testamento. Trad. Emma Anders de Souza Lima. São Paulo: Vida 1991

BÍBLIA. Português. Bíblia de Estudo Pentecostal. Trad. João Ferreira de Almeida Revista e Corrigida. 3. Ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999

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